quinta-feira, 8 de maio de 2014

Um adeus ao meu velho! (em 27/3/2014)

E eu me alegro por tê-lo lúcido dois dias antes. Poderia ter tentado passar a noite lá, mas agora já foi. Uma quarta mal e ainda dificuldades no trabalho. A cabeça a mil. Consegui, enfim, fechar os olhos as 3:30 da madrugada e algum tempo depois o som de meu telefone foi entrando em minha mente. "Mãe" as 7:20... algo sério. Era a notícia de que meu velho havia piorado e ido para o hospital. O choro já no banho... um conformismo ainda sem muita aceitação. A chegada ao Rio, a ida ao hospital, os dois comprimidos brancos fazem efeito. Chego e minha avó a sair acompanhada de minha tia, minha irmã mais velha entra... e sai com sua face embebida de lágrimas e suas manchas vermelhas pelo corpo, fico p acalmá-la e é a vez da caçula, que também sai a chorar. Respiro fundo colocando o crachá de visitante com um, dois, agora três riscos. Entro pelo corredor, perco-me num entra e sai de portas de plástico. Avisto a temida sala vermelha, abro e demoro uns 5 segundos para reconhecer meu velho "picareta". Seu coma, suas lágrimas e seu respirar profundo. "Sou eu, seu filho, dan. "Balbuciei mais algumas palavras enquanto acarinhava seus cabelos brancos e beijava sua testa a dizer que o amava. Sai, minha irmã do meio entrou. Liguei para minha mãe, depois para minha amiga de outras vidas, vivi, que pediu que eu rezasse pedindo uma boa passagem. Sentei ao lado de minha avó, rezei em mente, segurei em sua mão e comecei a escrever essas palavras, quando noto abraços, choros, olhares. Era a temível notícia. Meu pai se foi. Deixando aqui saudades. Saudades para sua mãe e irmãs que tanto cuidaram dele. Saudades em amigos e familiares que tanto ajudou e fez feliz. Saudade em seus quatro filhos, que tanto amou. O pé de valsa, picareta que socava o cantinho da parede. "Tchau filhão!" "Tchau, velho! Beijo" "Beijo. Não se preocupe que tá tudo bem." Que Deus o acompanhe em paz!

2 comentários:

André Vidal disse...

Isso me lembrou a perda dos meus pais, especialmente a da minha mãe que me mutilou de um jeito irreparável :-(

daniel martinez disse...

Sei o quanto deve ter sido duro, meu caro! Que meu carinho te conforte! Beijo grande