domingo, 30 de setembro de 2012

Marina


Anos atrás eu ouvia falar de semelhança e comparações
Pessoas que assemelham-se a X e Y
E ai fui vendo que isso realmente é possível
Conheci a fundo meu XX, meu XY
Codificado em códigos particulares
Quase ou certamente impenetráveis
Involuntários são
Numa mesa de bar, no sofá de uma sala,
Numa cadeira de festa, num banco de carro,
Num show, na cama,
Nos pés-de-cama
Nossos pés descalços, desnudos, imundos
Impregnados de toda nossa poeira-bobeira-boa
Lembro de uma folhinha de bloco miúdo
Folha que chegou em minhas mãos com todo olhar envergonhado
Olhar esse e aquele outro e outros que reconheço na hora
E a folhinha falava comigo, de mim, de nós, de nosso nó de amor
Falava de sementinha escondida de amor de irmão
Amor de irmão-amigo-confesso-honesto-imerso
Amor sem mapa, sem data, sem cuco, sem aspas
Meu liquidificador de emoções
Meu divã de acalanto
Meu samba de nós dois
Infinita e particular é você
Meu ser, minha amada, minha irmã
Nos-nós-nós-nos encontramos
Sem desatar os nós, que somos nós
Nós sempre nos amamos
Agora essa semente se multiplica
E se cultiva num outro tipo de amor que ainda desconheces
Dará a vida e um outro bloquinho terá
E eu ainda estarei aqui, sempre, sempre, sempre...
por que você, Marina...
Você nos pintou!