Em meio a copos-sorrisos-copos-sorrisos-copos-copos-gargalhadas. Fumaça. Chuva lá fora. Um som de pápápuncutcháplocploc ploc. Pés descalços, suor escorrendo, braço a braço, perna em perna, brincadeira de criança, até de criança velha. Contagiante aquela alegria. Um, dois, mais dois, mais duas, incontáveis crianças velhas. Sambando, entrando na roda, bestializando o ambiente. “Faltam cinco!” alguém gritou... “Faltam15!” alguém afirmou. Mas tudo tava besta demais. Aqueles pés pretos de poeira alegre. Bestas, só havia bestas, cada qual com seu nome e até aquelas de mesmo nome. A besta ANF no meio da roda, aquela ciranda. Braços, suores, pulos espremidos e espremendo-a. As bestas deslizando no chão aguado de sal e álcool, agarravam-se umas as outras tendo ANF como sol e as outras como planetas em orbita. Sim. Os pipocos já lá fora. Devia haver alguma beleza no céu, mas pra que céu se nosso mundo era quadradoretangular... cheio de positividades de bestas, cheio de energias positivas dos quartzos rosa e das frutas proibidas dos tempos de Adão e Eva. Pipocos não cessavam, abraços e desejos desejados e desejáveis ao pé dos ouvidos. Mais abraços, mais sorrisos. Começou o cadê?meu?pai?mãe?irmã?irmão?essa?droga?de?celular?congestionado?, mas antes disso uma prosa de verso poesia leitura viva de trechos num canto bem The Dreamers. Falas sonoras e rasgadas, improviso pensado e contido num coletivo de espelhos, encaixes perfeitos de um quebra cabeça de letras e corpos e copos e fumaças suadas salivadas. E antes até disto houve o choro do abraço, abraço nada contido e nada abafado, do um, do dois ao som da tromba do Elephant Gun que insistia em bramir e tornar tudo mais gostoso e real. E bem depois disso, ainda com os pés pretos, as bestas continuavam a pular, a passar, a se entrelaçar. Aqueles desejos desejados e desejáveis continuavam nos dentes brancos que até a maçã se rendeu e caiu de ponta cabeça em sua teoria da gravidade impotente. Quartzo rosa. Cliques sem chiliques. Alma artista de bestas. Vozes lá fora e desejos de felicidade ao próximo estranho(s). Poses nada posers. Quartzos rosas. Pés pretos descalços de bestas. Acalanto até em momento de descanso. Grudes. Três em uma, quatro na outra, duas em outra. Nada escolhido, nada separado. Eram apenas pés pretos, todos iguais. Pés de bestas felizes por estarem cansadas de tanto suarem de alegria. Brinda um, brindam dois, brinde a vida. A chuva não cessa. Quartzos, maçãs, claro de chuva. Pés pretos de bestializados. Ouve-se palavras sábias de um querido senhor “2011 deve ter sido tenso demais pois São Pedro não para de lavar”. Besta é tu que não acredita na felicidade do quartzo rosa, do pecado de Eva. Se não tens pés pretos, besta tu não é. Besta é tu.
