Esse grito amigo familiar que
todos faziam para chamá-lo! Ah, meu tio querido que tanto me conhecia. Que
saudades vou sentir do seu barulho a andar com suas muletas antecipando sua
chegada ao portão de casa! Seu feijão maravilhoso! Seu cuidado com as pessoas!
Seu auxílio às pessoas sem nada em troca pedir! Seu sorriso forçado à graça que
tanto nos fazia rir! “E aí, D. Baronesa... assistiu à novela hoje? Tava boa,
né?” ligando pra minha vozinha querida! Ai, meu tio Jaaarêz!! Sua companheira
inseparável sente sua falta, sente sua ausência e seu cheiro em cada canto de
nosso lar. Ela tá lá, encolhida do frio sobre seu casaco. Ai, meu tio! Lembro
de tantas coisas que me dizia, que talvez nem você mesmo se lembre. São
palavras de anos, meses e dias atrás. E como tava difícil te ver amarelo e
fraco... como tava difícil te ver sem escutar direito. E me vêm as
lembranças... aquelas que só eu acho que lembro, pois são únicas a mim. “Filho,
você tá precisando de algo?” “Filho, você quer algo pra comer?” Filho...
filho... filho! Ai, meu tio! Como queria ter feito mais por ti. Minha última
lembrança é de você me vendo pegar a bicicleta pra ir à rua e depois sem me
ouvir nem ver devolvê-la. Porque não falei contigo? Apenas o olhei, tentando
fazer o mínimo de barulho para não incomodá-lo. Depois o vi de olhos abertos,
penetrantes, ainda parecendo vivo. Quero que o Sr. saiba o quanto te amo! Sei
que já o sabia, mas quero aqui novamente dizer! Quero que saiba que o Sr.,
nosso Saci branco, nosso tio-pai, nosso tio-amigo, nosso tio-palhaço, nosso
tio-presente, o pai da Sukhi, esteja bem! Que o senhor descanse em paz! E eu...
eu vou gritar aqui dentro de mim seu “nome”... com aquele nosso eterno grito “Jaaarêz!!”.
Um beijo, com carinho.
