terça-feira, 15 de outubro de 2013

Fumaça

Acordei, mas meus olhos pesam! Será da maçã ou do lexotan? 
-Dorme mais um pouquinho.-disse um pequenino vermelho com galos pontiagudos na cabeça.
-Seja forte e levante!-soprou o passarinho com cara de gente.
Em sonho vi elefantes e suas memórias. Creio ter dormido agitado, o lençol está revirado na cama.
Opa, levantei! Uma, duas colheres de açúcar. Pés descalços à caminho da sala.
Rala, fala, pára, cala... Isso, cala! E rala!
Ah... E tenha um bom dia fora de mim!
Fumaça!

                       (Daniel Martinez)

vem

Se cai a noite, cai com ela, um pouco, meus olhos. Mas estou com tanta ânsia de viver que um pestanejar já me rouba um tempo precioso. Se o for, se-lo! Se assim for, seja-o! Se pra mim for... Que venha! 
                       (Daniel Martinez)

Entremeio

Se acorda-me com sol, brilha mais intenso em cor. Vibra luz da lua em branca-neve-cor. Se me salga em água-mar, tira de mim o que pesa, sobe a onda em meus pés e agarra areia pelas pernas. Se me babas com sorriso, olha-me assim com teu ardor. Te respondo com meu corpo, tremendo com vigor. Olhe agora minha lua que alumia o teu mar. Sal-de-suor-com-branca-nuvem-de-dentes-a-babar-e-essa-língua-que-me-chamas-a-fim-de-ela-provar. Pêlos enlaçam o engano do inverno, entre um gole e outro, assim espero. Se te arrepio em vento sobre branca-lua-em-neve-cor, passe seus dedos em meus lábios e sinta o calor. Deslizar a língua em sua orelha, naquele segredo de liquidificador, escondendo seu nome em codinome não beijador. Labiar tua boca irei... cálido e com rubor. 
(Daniel Martinez)