
Sabe... as vezes a falta cabe, mas quando cresce transborda, ultrapassa os limites. Sempre fui de costumes diários, mensais, anuais... não é que eu prese rotina, isso passa longe... não é que eu esteja saudosista, longe disso... só é a falta do costume que começa a transbordar gota a gota, nos incessantes pensamentos Yin-Yang, na dualidade, no cultivo do sem-fim. O polem, o adubo, o regar, o crescer, o colher, o se multiplicar. Cultivo dúbio, duplo, que se completa... o princípio ativo, diurno, luminoso, quente... o princípio passivo, noturno, escuro, frio. O tigre e o dragão, os opostos. Atrair... atração... Complemento, sem nenhuma distinção. O bem e o mal? Comparados a que? Somos prótons e elétrons com ações positivas e negativas que completam-se... Claro e escuro, branco e preto, preto no branco, sol e lua... divisões, representações... O céu está acima, cheio, movimentando-se. Há que se ter cuidado, a qualquer momento um meteoro pode rasgá-lo, atravessá-lo e atingir uma área da Terra, capaz de extinguir tudo que conhecemos... coisa ruim, não? Bom pensar no talvez, olhar o passado, ver se tal atingimento realmente é de todo o mal. E o progresso? Progredir nem sempre é crescer. Termino os pensamentos que em meus dedos tomaram vida e serão cultivados em meu travesseiro, podendo em mim manifestar a semente do oposto.
Daniel Martinez